
O produtor argentino Gastón Gorali expressou seu orgulho ao falar com o Estadão sobre a nova série Mafalda, uma coprodução de seu estúdio, Mundoloco CGI, com a Netflix. A série marca a primeira vez que a icônica personagem questionadora e pacifista estará disponível em uma plataforma de streaming global. Durante sua participação no Rio2C, convenção de criatividade e mercado no Rio de Janeiro, Gorali discutirá as adaptações de quadrinhos latino-americanos ao lado do diretor Daniel Rezende, conhecido por sua obra em Turma da Mônica.
Gorali salientou a importância de manter a fidelidade ao material original criado por Quino (1932-2020). Ele descreveu o processo de transformar Mafalda em uma série de streaming como desafiador, mas gratificante. “Nós não trabalhamos para terceiros, não fazemos serviços de animação ou propaganda, que é o mais comum na América Latina. Tomamos um caminho diferente e mais difícil, sempre investindo em projetos em incubação e desenvolvimento”, afirmou o produtor.
A série, dirigida e escrita por Juan José Campanella, cocriador do estúdio e vencedor do Oscar por O Segredo dos Seus Olhos (2010), promete unir o clássico ao inovador, respeitando o legado de Quino enquanto incorpora novas tecnologias. A inspiração para a série veio de um momento simples de contemplação de um livro da personagem, que Gorali possui há anos. “Tive uma epifania ao olhar para este livro. Por que não estamos trabalhando nesta joia que une duas gerações?”, relatou.
Gorali recordou a visita de Quino ao estúdio durante a produção de Um Time Show de Bola (2013), ressaltando o respeito que o artista conquistou entre os profissionais presentes. “Agora, temos um time de profissionais de vários países trabalhando na série, todos apaixonados por Mafalda, que foi parte da formação de toda uma geração”, destacou. Criada em 1964, Mafalda não só moldou leitores, mas também fomentou um espírito crítico em relação a questões sociais e políticas.
Questionado sobre a manutenção do teor político nas tirinhas, Gorali foi enfático: “De outra forma, não seria Mafalda”. Ele ressaltou a visão de Quino, cujas questões ainda são relevantes hoje em dia. “Mafalda levanta mais perguntas do que respostas, e esse é o espírito da personagem, de fazer as perguntas corretas para deixar todo mundo pensativo.” Embora os detalhes da trama permaneçam em segredo, Gorali afirmou que o foco atual está em traduzir os pontos fortes do material literário para um novo formato.
Fonte: oliberal.com
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