
Os Anos de Chumbo no Brasil foram marcados por intensa dor e resistência entre os que lutavam pela liberdade. A história de coragem e amor do casal Raimundo Antônio da Costa Jinkings (1927–1995) e Isa Jinkings é um exemplo desse enfrentamento à Ditadura Militar. Essa narrativa será apresentada por Isa em seu livro “Meu Antônio”, que será lançado no próximo domingo, dia 6, em um local emblemático dessa luta: a Casa das Onze Janelas, antiga sede da 5ª Companhia do Exército, onde Raimundo Jinkings foi preso.
Ao longo de seus 92 anos, Isa Jinkings demonstra uma vibrante vontade de viver. A saudade de Raimundo foi a principal motivação para ela escrever o livro, que conta com a colaboração de suas filhas. Em suas páginas, Isa narra o início do romance que começou quando eles tinham apenas 15 anos, durante um passeio no Arraial de Nazaré. Foi ali que Isa se encantou pelos “aqueles olhos negros” de Raimundo, que também a notou. O encontro seguinte ocorreu na festa de formatura de Isa, solidificando o início da história de amor que durou por 46 anos.
O título “Meu Antônio” reflete o carinho de Isa pelo marido, que sempre foi chamado assim. Juntos, tiveram cinco filhos: Nise, Leila, Raimundo Antônio, Álvaro e Ivana. O livro é dividido em duas partes; a primeira foca na vida familiar, enquanto a segunda reúne escritos jornalísticos de Jinkings, que abordam o cenário político da época e sua atuação como líder bancário e político. Viver sob a Ditadura Militar não era fácil, e Isa relembra momentos difíceis em que Raimundo teve que se esconder para evitar a prisão.
Isa conta que, no dia do Golpe, Raimundo chegou em casa apenas para se despedir antes de se esconder, já que estava sendo procurado. Ela, com seus cinco filhos, enfrentou a angústia de descobrir onde ele estava detido. Após muito esforço, conseguiu localizá-lo na 5ª Companhia do Exército, onde passou a visitá-lo diariamente. Inicialmente incomunicável, Raimundo teve a oportunidade de se encontrar com Isa, um momento marcado por forte emoção. Durante esse tempo, Isa levava os filhos para passear enquanto o pai estava preso.
Raimundo Jinkings, presidente do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), foi preso e posteriormente aposentado compulsoriamente após se apresentar ao banco onde trabalhava. Isa descreve seu marido como uma pessoa firme em suas convicções e um pai amoroso. Em 1965, eles abriram a Livraria Jinkings como um espaço de resistência cultural e política, contribuindo para a luta contra a repressão da Ditadura Militar. A obra de Isa Jinkings não apenas resgata memórias, mas também homenageia a coragem de um casal que desafiou a opressão em nome da liberdade.
Fonte: oliberal.com
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