
Belém, com sua rica história e diversidade cultural, tem sido capturada por diferentes lentes ao longo dos anos. No entanto, uma nova geração de fotógrafos paraenses está emergindo, buscando formas inovadoras de narrar a cidade. Desde as periferias até os centros históricos, esses profissionais utilizam a fotografia para registrar não apenas lugares, mas também memórias e experiências. Neste contexto, o fotógrafo e arte-educador Matt Sousa discute, no Dia Mundial da Fotografia, como encontrou na fotografia uma maneira de contar histórias e se conectar com sua cidade natal.
Com apenas 14 anos, Matt Sousa começou a ver a fotografia como uma forma de superar as limitações impostas pela sociedade. Durante sua formação acadêmica, ele desenvolveu um olhar crítico sobre a maneira como a cidade era retratada, frequentemente sob a perspectiva da elite. “A fotografia pode ser um instrumento político e de resistência, e não apenas estético”, ressalta ele, destacando a importância de registrar a “história vista das margens” e as relações afetivas presentes nos territórios urbanos.
A prática de Matt enfatiza a potencialização do ato de fotografar através do compartilhamento, criando laços verdadeiros com as pessoas diante da câmera. Ele acredita que os lugares se tornam, assim, espaços de convivência e troca, e não meros cenários. Contudo, a falta de acessibilidade em Belém impacta sua relação com a cidade, uma vez que o fotógrafo, que possui deficiência, busca retratar os desafios enfrentados por pessoas em situações semelhantes.
Além de registrar afetos e relações, Matt também questiona as representações históricas da Amazônia, ampliando a visibilidade de personagens que foram marginalizados em narrativas anteriores. Ele menciona outros fotógrafos contemporâneos, como Nay Jinknss e Lu da Silva, ressaltando a relevância das novas metodologias encontradas por essa geração.
Outra voz importante nesse contexto é a fotógrafa e estudante de jornalismo Amarílis Marisa, que, nascida na Terra Firme, também utiliza a fotografia para explorar sua relação com os territórios. Em sua trajetória, Amarílis descobriu a fotografia após uma formação e, desde então, passou a registrar o cotidiano, buscando construir narrativas que revelam a complexidade das periferias. “Quero mostrar as coisas boas que existem aqui, desafiando a visão que associa esses lugares apenas à criminalidade”, afirma.
Atualmente atuando no fotojornalismo e na fotografia artística, Amarílis capta gestos, manifestações culturais e a vida nas ruas de Belém. Ao fazê-lo, ela revela novas relações com a cidade e observa mudanças significativas em suas paisagens. “Belém passou a ser, para mim, uma cidade de muitas camadas”, conclui, evidenciando como o exercício de fotografar transformou sua percepção sobre os espaços urbanos e suas dinâmicas.
Fonte: oliberal.com
Compartilhe este conteúdo: