
O Círio de Nazaré transcende a fé, consolidando-se como um importante símbolo da identidade paraense. Elementos como miriti, maniçoba, arraiais e procissões permeiam a celebração, que é traduzida em criações artísticas por profissionais locais. Entre eles, destacam-se as ilustradoras Julia Leão e Renata Segtowick, que, há anos, incorporam essas referências em suas produções.
A designer Julia Leão, de 39 anos, atua no campo da arte digital e, há mais de 15 anos, cria ilustrações inspiradas no Círio para diversos produtos, como camisas e canecas. Em suas primeiras produções, predominavam fotografias estampadas, mas Julia fez parte de uma nova geração de artistas que optaram por ilustrações autorais para representar a festa. Com o tempo, sua obra evoluiu, e a artista passou a incluir elementos que narram a história da celebração e da cultura paraense.
“Para mim, o essencial do Círio é a união das pessoas”, afirma Julia, ressaltando a importância do coletivo na celebração. Para a campanha da Vale deste ano, com o conceito “Essencial é viver o Círio em cada detalhe”, a artista buscou representar não apenas símbolos conhecidos, mas também a sensação de pertencimento e de estar junto. “O Círio aproxima as pessoas”, conclui. Entre os momentos que mais a emocionam, destaca a Trasladação, onde a mistura de memória, fé e cultura se torna palpável.
A artista Renata Segtowick, de 53 anos, também tem uma relação profunda com o Círio. Nascida e criada em Belém, ela desenvolve ilustrações e murais, explorando temas relacionados ao feminino e à cultura. Há cerca de 15 anos, Renata produz anualmente uma obra inspirada na celebração, sempre buscando novas abordagens e características que revelam a rica dimensão cultural do evento. “Sempre existe um item novo para abordar”, afirma Renata, que neste ano se inspirou na imagem de Stella Maris, associando-a a referências amazônicas e paraenses.
Em sua narrativa pessoal, Renata destaca a energia positiva que o Círio traz, unindo famílias em um ambiente de fartura e amor. “O Círio mexe muito comigo. É realmente muito emocionante. Só vivendo para sentir”, conclui, evidenciando a força que essa celebração exerce na identidade paraense.
Fonte: oliberal.com
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